31ª BIENAL de arte contemporânea

14 de setembro de 2014

eu  perdida entre o golfo dos anarquistas e o monte do marxismo (talvez lá embaixo, passando longe do Mao e do Stalin, claro! risos)

Como começar a escrever esse post? A última bienal que visitei não foi uma boa experiência. Não sei se eu era outra ou se houve uma mudança substancial nessa nova edição que me fez ver tudo com outros olhos. Na verdade, acho que é um pouco dos dois. Essa edição da BIENAL de Arte Contemporânea de São Paulo me surpreendeu em cada detalhe, em cada obra. Não somente pelo tema político, mas sobretudo pela composição, que dessa vez não era somente clara, como trouxe o enfoque da arte para os movimentos sociais e produções culturais de setores que outrora seriam ignorados.

Cabe críticas, claro, sempre existe divergências. Mas realmente é uma exposição imperdível. bastante elementos da arte urbana de rua (pixação e grafite), trabalhos de artistas sul americanos sobre as ditaduras na America latina, repressão de movimentos sociais, entre várias outras temáticas.

Mural sobre a ditadura  na Argentina

Obra de uma artista Chilena sobre os documentos da operação CONDOR que financiou as ditaduras sul americanas



Essas duas fotos acima retratam uma sala bastante intrigante na qual você entrava descalço e contemplava várias pixações com elementos culturais (de símbolos nazistas a stencil de Jesus Cristo) ao som de um funk e vários efeitos de luzes neon.



Essa sala acima me lembrou a coleção Circus da Melissa. E também me remete muito as festas super pós modernas que ocorrem nas universidades públicas (sobretudo as de humanas!) auiheuiheuie.




Havia vários outros espaços com discussão sobre perseguição a grupos políticos, simulando torturas, trazendo elementos da fé e da simbologia de várias religiões. Também havia vídeos das manifestação de junho, retratos da desigualdade social e racial no Brasil e na América, entre muitos outros debates.  No dia que eu fui estava se apresentando um núcleo de cultura de um movimento social (que não me recordo qual era) e pelo que andei lendo no site tem sido assim vários dias devido a parcerias com esses artistas.

Ao ler o conceito da curadoria e montagem da exposição fica claro que o debate é sobre transformação. Vivemos em um momento de crise e por consequência de superação e criação, não somente expressa na arte, como na vida, na política, e em todas as expressões culturais. Achei fantástico ter esse debate posto de forma tão instigante e ao mesmo tempo é empolgante porque é mais um sinal que as coisas estão mesmo em eferverscência e cada vez tem sido mais difícil negar a política.

Infelizmente fui a noite em um dia de semana e não pude desfrutar como gostaria. Porém pretendo voltar em breve com calma para apreciar melhor os espaços. A exposição vai até o dia 07 de dezembro então dá para todos visitarem com tranquilidade! Para quem é de São Paulo ou viaja para cá nessa época, fica o convite. É imperdível e vale todo o tempo dedicado por lá :D

Apple, design, ostentação e "capitalismo"

11 de setembro de 2014


Uma moça entra na loja, segue em direção ao balcão de celulares e pergunta ao vendedor se ele possuía em estoque um modelo do iphone 4s branco. O vendedor interessado, logo responde que sim e questiona se ela gostaria de testar as funcionalidades, ver as diferenças entre os modelos e planos. Ela logo responde que não e pede para ele fazer a nota pois ela iria levar. Assim, sem tempo para o vendedor pensar, ela pega seu produto e se dirige ao caixa para pagar. Afinal, é só um celular.

Foi mais ou menos assim que se sucedeu a compra do meu primeiro produto da Apple. Sem maiores emoções, nem dramas, comprado dentro de um supermercado de bairro (porque não?), sem o menor glamour mostrado nas tela de cinema. Risos. Falando sério gente, eu sempre fui muito fã do design da apple, porém financeiramente sabemos que no Brasil custa um pouco além do que deveria e para a maior parte das pessoas, é muito inacessível. Para mim nunca foi diferente, mas já fazia tempo que precisava de algum produto deles para o trabalho (sempre que diziam que tal coisa não funcionava no IOS eu gelava, porque afinal, como ia saber?), então aproveitei que surgiu uma oportunidade de arrematar e não pensei duas vezes. 

Na verdade tiveram mais 2 motivos para eu compra-lo. O primeiro é que o samsung que eu tinha antes pifou (insira uma frase triste aqui). Ficou 2 dias sem ligar depois ligou de novo do nada, mas naquelas né? Não confio muito. O outro motivo é que está para lançar o iphone6 e como sei que logo logo o 4 iria sumir do mercado, bateu aquele desesperozinho, porque acho o iphone 5 horrível e de verdade, não queria morrer sem ter um iphone4 (que é a definição de tudo que eu gosto no design em um único aparelho). Ou seja, tinha que me decidir, era agora, ou era agora. 

E dai que foi, e estou apanhando aprendendo ainda mexer nos aplicativos da apple (como assim tem que ter música no itunes? KD MP3 TRANSFERIDO VIA CABO? KD? hehehehe) e achando tudo muito mágico e complicado ao mesmo tempo. Por isso que achei que seria legal escrever um post falando um pouco da minha experiência, aproveitando para refletir sobre alguns pontos que tem permeado o debate sobre a apple nessa semana que eles anunciaram o novo iphone. 

o logo mais clássico de todos. Atemporal, eternamente atual.

Falando do aparelho em si, só tenho coisas boas a dizer. É muito melhor do que eu imaginava e muito mais funcional do que parece. Logo quando liguei apareceu o logo mais lindo de todos (sim eu pago um pau para o design da apple desde sempre) e carregou tudo super rápido como uma nuvem que desliza para o infinito. Sério, como as coisas nesse aparelho deslizam. É impressionante a leveza do movimento. Perfeito. Quando apareceu a página inicial quase tive um trocinho no coração porque tinha um fundo de universo tão lindo, mas tão lindo que continua o mesmo até hoje e não pretendo tirar. Celular bom é assim, a gente ama tanto que usa do jeito que veio! <3

De resto, é muito parecido com o android (na verdade o android é que é parecido com o IOS,  but anyway). Claro que os ícones são mais bonitos, a maior parte dos aplicativos funciona bem melhor e o nível de segurança é superior. A market da apple é bem mais restrita, totalmente diferente da feira de caruaru que encontrava toda vez que eu entrava no market da google. Tinha medo de pegar vírus só de clicar no botão de apps. Porém confesso que estou sentindo falta de alguns aplicativos (SDDS Logopedia).

Por fora ele é perfeito.  Quadradinho, metalizado ao redor, pesadíssimo, todo de vidro e espelho atrás (ai que medo de quebrar) e todo branco <3 Sério, sempre tive queda por esse modelo porque acho o mais lindo de todos. Ele é pequeno, perfeito para pegar com a mão, combina com tudo, mil e uma utilidades. risos (já posso ser marketeira da apple?) brincadeiras a parte é exatamente isso que posso dizer do iphone. Ele é tudo de bom e única coisa ruim de te-lo comprado tem a ver com a outra parte da reflexão: as pessoas não te olham da mesma forma quando você tem um iphone. O que é ridículo, mas perfeitamente compreensível. A apple se constituiu como uma empresa que fabrica produtos altamente elitizados (sobretudo em países como o Brasil) então nada mais normal de que isso ser visto pelo mundo como algo de um certo status social. Eu sou totalmente contra essa filosofia, acredito que não é nada além de um celular e não me faz melhor nem mais rica que ninguém (alias me fez mais pobre porque né, foi caro).

Enfim... eu nem pensava muito em escrever esse post, justamente por isso. Se há todo um julgamento social sem você falar sobre o assunto, imagina escrevendo um post cheio de fotos? Motivo mais que perfeito para a oposição cair cascando em cima dizendo que é metida, está ostentando ryqueza e etc e tal. Mas como eu acho que é falando que se discute essas questões, e debatendo que chegamos a algum lugar decidi escrever sim, minha opinião e como me sinto em relação a tudo isso.

Na realidade eu acho que o debate nunca foi sobre valores, sobre ser caro ou não, a questão é que a Apple se constituiu um símbolo cultural. Se você tem iphone é um capitalista metido a besta. Pronto, é assim que a maioria vai te taxar (vide memes do facebook). Não importa se alhos não tem a ver com bugalhos, muito menos se o cara ali da esquina tem um galaxy que custou o dobro do seu celular, a questão é a marca, é o símbolo por trás do produto e todos os valores que as pessoas já tem acerca disso.

Quando eu quis comprar um iphone sabia mais ou menos que críticas viriam. E muitas. As primeiras dizem respeito ao fato de eu supostamente ter me tornado "capitalista". Honestamente não tenho nem mais saco para repetir isso novamente, mas como acho que nunca falei por aqui, vale o debate. Para iniciar, é preciso dizer que até onde eu sei, um celular não é um meio de produção por onde eu vá lucrar em cima do trabalho alheio, logo, não me torna burguesa, não me faz ficar entre os 4% da população mundial que concentra mais de 60% da riqueza de todo mundo. Ou seja, não me faz capitalista. As pessoas tem um conceito muito equivocado sobre o que de fato é capitalismo, muito provavelmente porque só reproduzem o que ouve por ai ao invés de ir estudar as bases da sua crítica. Alias, se assim fosse, para início de conversa, já não se usaria nem mesmo o termo capitalista (já que ele é um "apelido" que a própria esquerda atribuiu a sistema econômico liberal), mas se caracterizaria da forma correta (que eu seria uma defensora do sistema liberal). Enfim, desculpa se fui arrogante, mas é um pouco cansativo essa crítica tão senso comum. 

Claro que há críticas embasadas também. A maioria do ponto de vista moral (quanto a isso nenhum problema). Muita gente crítica quem usa apple por contribuir com uma filosofia elitista de mundo, afinal, o Jobs nunca fez questão de ser popular em nada. Sobre isso tenho pontos a concordar e discordar, mas falarei sobre o Jobs adiante. Em síntese, só o que posso dizer é que minha filosofia de vida é que não mudamos uma situação da qual discordamos apenas nos colocando em uma bolha, pois são nas contradições que o movimento da vida se transforma. Conheço uma pessoa que ficou anos sem usar nada da google porque tinha medo de ser vigiado e depois descobriu que todos as empresas faziam isso, microsoft, apple, google, todas. Ou seja, ou você para de usar tudo, entra em uma bolha, ou estoura a bolha e parte para lutar contra aquilo que discorda sem maiores neuras de estar sendo vigiado, estar contribuindo para o capitalismo e etc. Todos nós vivemos na mesma sociedade e contribuímos para sua manutenção e transformação. Ter ou não ter alguma coisa é uma escolha moral que pode ser válida em alguns casos e em outros não. No caso do celular, para mim, ter um ou outro é a mesma coisa. Quem tem um android não é mais revolucionário do que aquele que usa um apple. Alias, gente o que isso tem a ver? Simplesmente PAREM!

Por fim, a única coisa que tenho que concordar com os anti-apple é que o público desa marca é muito consumista. Gente, pra quê trocar de celular cada vez que tem um novo modelo? Porque é preciso ter todas as novidades? Sou totalmente contra. Isso sim é ostentação, é futilidade. Comprar algo que você não precisa é muito ruim. Entendo que a publicidade come as nossas mentes e as vezes nos rendemos a desejos impulsivos, porém é preciso resistir.

Enfim, vou deixar uma outra indicação de texto que gosto muito e expressa bem minha opinião sobre a apple. "a esquerda e o iphone".

design, o ponto forte da apple
E só para não deixa em branco, fiz uma declaração meio polêmica no facebook e queria comentar por aqui. Gente... eu realmente acho que a apple acabou com a morte de Steve Jobs. Sei que os grandes fãs da marca nunca vão concordar, mas isso sempre foi claro como a água para mim. Acompanho a história da empresa desde criança (meu pai me fez assistir piratas do vale do silício quando eu disse que sonhava em ter um macbook color) e nunca imaginei que ela pudesse ter um diferencial sem ele. 

Durante os anos de 1985 à 1996 a apple ficou sob liderança de outras pessoas e o resultado nós sabemos: Fiasco total, nenhum lançamento importante. Logo quando ele voltou a tona no cenário tecnológico, a apple não só disparou em prestigio como lançou todas as maiores invenções tecnológicas das últimas 2 décadas. Um smartphone para pessoas comuns, os tablets para pessoas comuns, ipod... Eu nunca vou esquecer o dia da apresentação do IPAD durante o Oscar. Ninguém esperava por isso e eu assim que vi aquele treco estranho na mão do apresentador logo chamei meu pai porque TINHA CERTEZA que tinha o dedo do Jobs <3 batata! Era um momento histórico, a apresentação de um tal de tablet que seria a próxima geração de computadores pessoais. Vocês tem dimensão que isso equivale a grandes invenções da humanidade, é fantástico saber que pude ver isso.

Por isso e outras, eu admiro e admirarei sempre o Jobs. Discordo dele em MUITAS coisas, mas ninguém precisa ser perfeito para a gente admirar. Ele era visionário sim. Arrogante, drogado, maluco, espiritualista e uma série de outras coisas polêmicas, mas acima de tudo, um dos maiores criativos de todos os tempos. Sim, porque para mim, foi na história do design que ele deixou para sempre sua marca registrada. E foi esse por muito tempo o diferencial da apple.

Hoje, depois dos últimos lançamentos já se fala que a apple não tem mais o posto de inovadora. O que é previsível. Acredito que a tendência é ela se adequar ao mercado, atender as demandas da sociedade e ser como qualquer outra companhia. Ela não vai morrer para o mundo, mas para mim, já morreu. Tudo que admiro e gosto foi produzido sob a supervisão de Steve. Não digo que nunca mais comprarei nada da apple (não se sabe o dia de amanhã). A vida continua, coisas novas surgirão e a humanidade evoluí. Porém queria deixar registrado: Sem Jobs, a Apple nunca mais será a mesma. 


E é isso gente. Obrigada quem leu até aqui. Ufa, fazia tempo que não escrevia tanto!

Como você tem tempo para isso?

8 de setembro de 2014


Sempre que eu conto pra alguém que curto cozinhar, ajeitar a mesa e curtir o momento da refeição, as pessoas geralmente me voltam com essa pergunta: Como você tem tempo para isso? É claro que eu compreendo o questionamento, afinal, nenhum de nós tem tempo, a vida é corrida e as coisas tendem a requerer mais praticidade do que beleza. Porém, como acredito que tudo é uma questão de prioridades, decidi escrever uma pequena reflexão pra iniciarmos a semana pensando nisso.

Eu não tenho tempo, como já disse acima, acredito que ninguém tenha muito sobrando. No entanto continuamos fazendo as coisas e vivendo nossas vidas. Temos que optar todos os dias por fazer X ou Y, passar horas no trânsito, ler um bom livro, ou escrever o TCC que está atrasado. Um verdadeiro malabarismo entre obrigações e pequenos prazeres, onde cabe a cada um analisar o que deve priorizar e o que pode deixar para depois. A grande diferença entre a minha rotina e a de qualquer outro que diz que não tem tempo para desfrutar de uma refeição com calma e contemplação é que eu escolhi priorizar isso como algo essencial para minha qualidade de vida, a partir disso, se tornou um hábito natural que nem sequer toma tanto tempo assim.

Claro que não são todos os dias que eu acordo e faço panquecas, bolo, compro pão e faço aquela mesa linda pra comer. Tenho os meus dias de dificuldade, correria, onde tudo está atrasado e no máximo tomo um suco ou chá quando levanto. No entanto é sim, muito comum que eu dedique alguns minutos para elaborar algo mais gostoso e saudável (por ser feito em casa e com amor!) e faça daquele momento meu sagrado. A diferença no meu dia é evidente, parece que tudo flui muito melhor e no fim, o tempo "gasto" com a preparação da refeição já foi mais que compensado com o aumento de produtividade ao longo do dia.

Na minha casa quando pequena, meus pais nunca preparavam café para nós. Nunca comíamos na mesa, sempre na TV, sempre rápido, igual quase todas as famílias contemporâneas. Nada no mundo me irritava mais. Eu fazia várias críticas e sempre dava de chata preparando uma boa refeição e arrumando a mesa pra obrigar todos a comerem comigo juntos. Não sei se é algum traço maluco de canceriana, ou muita influência de seriados norte-americanos, mas nada é mais gostoso pra mim que pessoas reunidas em uma mesa pra comer c conversar sobre a vida. Sempre jurei que quando tivesse minha casa seria diferente.

E é. É diferente hoje. E me sinto muito melhor assim. A vida flui melhor quando a gente dá espaço para contemplação e não somente a utilização racional das coisas. Afinal, precisamos comer. Mas mais do que isso, as vezes precisamos dizer para nosso corpo que nos importamos tanto com ele, ao ponto de dedicar alguns minutos do nosso dia preparando algo que vai mexer com todos nossos sentidos. Que vai ser gostoso, bonito e que vai nos lembrar que meio a tantas dificuldades que a vida vale muito a pena. Vocês concordam com isso?


Oi, sou Jess! Vivo em São Paulo, Brasil onde trabalho como designer. Adoro tudo que envolve criação. Criei o blog em uma tentativa de extrair do caos da grande metrópole o criativo. Hoje o blog tem um pouco mais que isso, como registros dos meus dias, sensações, reflexões e coisas que me inspiram! Sinta-se a vontade para ler, comentar, compartilhar e interagir :)



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